Série Numerada 7
Setembro 22, 2008
Olhe você
Olhe
Mire e veja
O que há de belo
O que há de caos
O que há
é
o que é
ocê qui é
Você que é vivo
você que é antigo
você que tem medo
Você que nasceu
Você que amou
Você que morreu
Corre em tuas veias
o sangue negro dos puros
e vives como os outros
Mas corro a cada dia
mas morro a cada dia
morro meu sangue rubro
Morro minha glória
Morro minha história
morro cada alvorada cinzenta
Desvivo
Desrito
Desmito
desde o mito a morte
Morte o sangue vivo
vive
Vivo
Nós e Eles
Setembro 15, 2008
Para Richard Wright (1943 – 2008)
Nós e eles
Tão distantes
Nós e eles, meu amigo
Tão amantes
Perdido na brisa
Perdido no tempo
Com medo, em um tempo passado
E dia a dia, retornamos a esse manicômio
Viva e brilhe, caro amigo
Pois estamos todos com você
Nós e eles, unidos uma vez mais
Quero sim dizer algo
Antes de partir
Quero dizer exatamente
Tudo o que eu sinto
Adeus para você
Não tivemos o bastante, por uma vida inteira
Rick, essa obra quase repentista nunca será o bastante para representar tudo que você significou para a música. O que quer que haja quando seu último dia se passa, saiba que aqui nessa existência serás eternamente vivo.
Desabafo I
Setembro 11, 2008
Meses
Meses
Meses
O papel olha
Desinteressado
Olha
Olha pro papel
Desinteressado
Tormenta, tormenta
O papel e o relógio
Parceiros
A dupla que debocha
Pomposamente
De minha desgraça
De meu espaço vazio
Onde eu costumava
Falar
A fala
Desapropriada de existência
De forma
De aforismos
A linguagem
Inalcançada
Perdida no meu caminho
No meu tempo
no meu papel
no meu relógio
Tiquetoque