Série Numerada 5
Julho 6, 2008
Quieto
Não, não fale
Não fale, não
As paredes tem ouvidos
Ouvidos de graciosas e sedutoras orelhas
de grosso lábios e amigáveis abraços
Que dizem fale fale
mas não
Não fale, não caia, insisto, não fala
Guarde
Um relógio eterno
(tão eterno quanto a memória
das tias que não lembram mais
do seu rosto)
Deixe dentro de si
Não, por favor, não fale
Não é um segredo
Apenas não, não fale
Quietinho.
Não fala não
[sem título]
Julho 6, 2008
ESTÉTICA
TÚ
P I
DA
(des)Soneto à Bukowski
Julho 6, 2008
Um noque noque
na porta me avisa
que ela chegou
Eu atendo,
com o copo ainda em mãos,
ligeiramente embriagado
Não vai me chamar pra entrar ela pergunta
e senta-se no sofá servindo-se do scotch
É uma selva lá fora ela fala
enquanto acaricia minha perna
Eu me levanto e tiro minha camisa
e ereto me dirijo à bancada
Delicadamente arremesso-lhe o cinzeiro
e por fim sua carne como, de seu corpo ensangüentado
Podômetro
Julho 2, 2008
Meus passos são lentos
Já criei desculpas
já disse que os outros corriam
que minhas pernas eram curtas
mas a verdade é
essa meus passos são lento
Meu passos são lentos e meu olhar
é distante
É distante e próximo
Olho em cada rosto
Olho em cada olhar
Vasculho cada alma em meu vagar
Vago vagar em sombra
Me arrastando pelas esquinas e semáforos
Pelas faces guardadas em aço
Pelas cabeças partidas eu passo
Lentamente
Alguns me olham e estranham
Desconfiam
Não sabem
Eu paro.
Muitas vezes eu paro.
Amigos se assustam
Desconhecidos perguntam se estou bem
Uma pessoa odeia.
Mas eu paro.
Dizem que fico melancólico
que fico angustiado
que transpareço minha alma.
Mas eu apenas penso.
Como em meus passos, minhas pausas
determinam apenas minha mente
que pensa que vaga que divaga
que palavra
Minha mente trabalhando
em versos tolos e
teorias falhas
Minha mente perturbada
por agonias longas e tristeza
duradora
Minha mente vagarosa
Que se arrasta por cada campo
Canto
Tanto quanto
Sujo
LentaMente
assim como meus passos
Mas ah, meus passos são lentos
Série Numerada 4
Julho 1, 2008
O amor
é muito mais do que dizem os céticos
e muito menos do que cantam os poetas