Concretude
Outubro 2, 2008
coblocoblocoblocoblocob
locoblocoblocoblocobloc
oblocoblocoblocoblocobl
ocoblocoblocoblocobloco
blocoblocoblocoblocoblo
Não há nada tão concreto
quanto o bloco de um escritor
Desabafo II
Outubro 1, 2008
A quem escrevo?
Seria mero egocentrismo convertido em carência por popularidade?
Seria uma ânsia por extravasar o que me corrói?
Seria um desejo infundado de impregnar mentes com minhas intransferíveis individualidades?
Por que escrevo?
Série Numerada 7
Setembro 22, 2008
Olhe você
Olhe
Mire e veja
O que há de belo
O que há de caos
O que há
é
o que é
ocê qui é
Você que é vivo
você que é antigo
você que tem medo
Você que nasceu
Você que amou
Você que morreu
Corre em tuas veias
o sangue negro dos puros
e vives como os outros
Mas corro a cada dia
mas morro a cada dia
morro meu sangue rubro
Morro minha glória
Morro minha história
morro cada alvorada cinzenta
Desvivo
Desrito
Desmito
desde o mito a morte
Morte o sangue vivo
vive
Vivo
Nós e Eles
Setembro 15, 2008
Para Richard Wright (1943 - 2008)
Nós e eles
Tão distantes
Nós e eles, meu amigo
Tão amantes
Perdido na brisa
Perdido no tempo
Com medo, em um tempo passado
E dia a dia, retornamos a esse manicômio
Viva e brilhe, caro amigo
Pois estamos todos com você
Nós e eles, unidos uma vez mais
Quero sim dizer algo
Antes de partir
Quero dizer exatamente
Tudo o que eu sinto
Adeus para você
Não tivemos o bastante, por uma vida inteira
Rick, essa obra quase repentista nunca será o bastante para representar tudo que você significou para a música. O que quer que haja quando seu último dia se passa, saiba que aqui nessa existência serás eternamente vivo.
Desabafo I
Setembro 11, 2008
Meses
Meses
Meses
O papel olha
Desinteressado
Olha
Olha pro papel
Desinteressado
Tormenta, tormenta
O papel e o relógio
Parceiros
A dupla que debocha
Pomposamente
De minha desgraça
De meu espaço vazio
Onde eu costumava
Falar
A fala
Desapropriada de existência
De forma
De aforismos
A linguagem
Inalcançada
Perdida no meu caminho
No meu tempo
no meu papel
no meu relógio
Tiquetoque
Série numerada 6
Agosto 7, 2008
Onde estás, Platão?
Aqui, onde bifurca minha estrada
Morto em mente, como jamais haveria de ser
Os sábios de outrora?
Perdido eternamente em anacronismos?
Onde estão suas idéias, suas ah tão perfeitas idéias
O que restaram foram seus simulacros
E aqui, nessa bifurcação
Grito aos céus em profanação!
Onde estás? Onde estás, Platão?
Série Numerada 5
Julho 6, 2008
Quieto
Não, não fale
Não fale, não
As paredes tem ouvidos
Ouvidos de graciosas e sedutoras orelhas
de grosso lábios e amigáveis abraços
Que dizem fale fale
mas não
Não fale, não caia, insisto, não fala
Guarde
Um relógio eterno
(tão eterno quanto a memória
das tias que não lembram mais
do seu rosto)
Deixe dentro de si
Não, por favor, não fale
Não é um segredo
Apenas não, não fale
Quietinho.
Não fala não
[sem título]
Julho 6, 2008
ESTÉTICA
TÚ
P I
DA
(des)Soneto à Bukowski
Julho 6, 2008
Um noque noque
na porta me avisa
que ela chegou
Eu atendo,
com o copo ainda em mãos,
ligeiramente embriagado
Não vai me chamar pra entrar ela pergunta
e senta-se no sofá servindo-se do scotch
É uma selva lá for a ela fala
enquanto acaricia miha perna
Eu me levanto e tiro minha camisa
e ereto me dirijo à bancada
Delicadamente arremesso-lhe o cinzeiro
e por fim sua carne como, de seu corpo ensangüentado
Podômetro
Julho 2, 2008
Meus passos são lentos
Já criei desculpas
já disse que os outros corriam
que minhas pernas eram curtas
mas a verdade é
essa meus passos são lento
Meu passos são lentos e meu olhar
é distante
É distante e próximo
Olho em cada rosto
Olho em cada olhar
Vasculho cada alma em meu vagar
Vago vagar em sombra
Me arrastando pelas esquinas e semáforos
Pelas faces guardadas em aço
Pelas cabeças partidas eu passo
Lentamente
Alguns me olham e estranham
Desconfiam
Não sabem
Eu paro.
Muitas vezes eu paro.
Amigos se assustam
Desconhecidos perguntam se estou bem
Uma pessoa odeia.
Mas eu paro.
Dizem que fico melancólico
que fico angustiado
que transpareço minha alma.
Mas eu apenas penso.
Como em meus passos, minhas pausas
determinam apenas minha mente
que pensa que vaga que divaga
que palavra
Minha mente trabalhando
em versos tolos e
teorias falhas
Minha mente perturbada
por agonias longas e tristeza
duradora
Minha mente vagarosa
Que se arrasta por cada campo
Canto
Tanto quanto
Sujo
LentaMente
assim como meus passos
Mas ah, meus passos são lentos